domingo, 28 de agosto de 2011

Dois nós

Em ti,
era epenas eu,
eu,
eu,
e sempre mais de mim.
Sozinha.
Deusa.
Completa em mim mesma.

Quando só,
apenas tu,
tu,
tu,
e cada vez mais de ti.
Dividida em dois.
Parte que sou e parte que és.
Incompleta em sua ausência.

Mas ainda que em memória,
eternamente ligados por dois nós.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Fio

Hoje achei um fio branco emaranhado ao loiro acinzentado da minha cabeça. Pequenino e tímido, escondido atrás de meus cachos embaraçados. Chegou cedo. Creio que quem o trouxe foi meu mau gênio, ou quem sabe até, as minhas más vontades. Talvez aqueles sonhos a muito abandonados ao relento, pegando orvalho na varanda de minha alma e enferrujando pouco a pouco.

O pequeno fio branco de meu cabelo não veio com a sabedoria dos anos. Ele veio simplesmente com as frustrações de um instante, com as revoltas e mil voltas do meu coração inesgotável e impaciente. Por fim, acabei por não preocupar-me com aquele pequenino pedaço tangível de tempo passado, pois depois de uma breve e vaga reflexão de um minuto, percebi que ele veio mostrar-me algo grande que ainda não sou capaz de compreender-e talvez nunca o seja-, veio mostrar-me algo bem maior que eu e que está além de minhas vontades...


Anil

Por Márcio Vandré e Yasmin Lara

Eu não gosto do céu plúmbeo.
Ele enegrece a alma, o dia, as flores
Faz murchar amores e azedar o mel.
Para meus relógios, faz nascer meus ódios
Embebeda-me de loucura.
Ah, o céu é tudo...Início e fim
Eu prefiro que ele se vista com o mais belo azul,
para iluminar as horas que insistem em passar.
Quero mais é ver a clareza das nuvens, tão alvas e sinceras.
Contando verdades, escondendo saudades,
Ensinando e vivendo o amor que nos cerca
O céu claro une.
Revigora o coração.
Para esse negro céu eu digo: não!
Quero permanecer são nesse mundo louco.




...Não existe pessoa melhor para se dividir um poema...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Necessidade (24/09/2009)

De mil coisas despeço
de outras mil me desfaço.
mas há, enfim, coisas que muito quero
e que sem elas não passo.

É a pose,
o momento,
o drama.

O amor,
o céu,
a chama.


O sonho,
o rosto,
o dia seguinte.

O sorriso,
o abraço,
o amigo ouvinte.


Beijo,
Lua,
um disfarce.

Carinho,
Meta,
Disparate.


É a palavra,
o poema,
o termo.

O lugar-comum,
o azul,
o ermo.


Não vivo sem o conto,
o canto,
o grito.

Sem o gesto,
uma idéia,
o tempo infinito.