domingo, 13 de junho de 2010

Branco.

Queria escrever, mas as palavras não vinham. Faltava a caneta. Faltava a história. Pensando bem, a história bem que existia, ausentaram-se foram os termos, as rimas ricas, as frases chacoalhantes. Eu tentava. Incansavelmente. Na cabeça, as letras embaralhadas, um sentimento louco para ser dividido nas linhas e entrelinhas...O amor escapando pelos dedos, a andorinha voando lá fora, a lua enamorada e redonda, zombando de meu desespero. Meus olhos tudo podiam ver do mundo -suas belezas, seus tormentos- mas as mãos, congeladas, não me respondiam.Inertes.
Devo ter perdido meu toque.
Devo ter perdido as palavras.

Sinto-me sozinha, o frio arrepiante entrando pela porta escancarada. As folhas vazias do caderno olham para mim e eu não decifro as expressões brancas em sua suuperfície lisa e inútil. Nada de contos. Nada de fadas. Por dentro, eu grito. POr fora, eu nada. Fico com pena de amassar a tal folha branca, embora queira rasgá-la juntocom todas as minhas frustrãções. Me calo. Paro. Não me aquieto. Espero sentada que elas voltem (essas palavras danadas!)...Como disse há pouco: Histórias existem. Fugiram as minhas palavras. Fugiram do mundo e agora resolveram escapar para longe de mim.
Em branco a folha. Em branco Yasmin.

3 comentários:

Tainá disse...

A dificuldade não está em sentir, está em expor esse sentimento...

jorge manuel brasil mesquita disse...

Folhas que ficam, folhas que caiem
palavras que trincam, rolhas que doiem
porque escurecem a claridade
porque endurecem a serenidade
porque mergulham e não voltam
porque borbulham e revoltam
os gritos da verdade
os aflitos da realidade
até que descobrem no girasol
as liberdades do sol.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 22/06/2010
etpluribusepitaphius.blogspot.com

Yasmin Lara disse...

Jorge Emanuel...Que coisa mais linda !
Passarei pelo seu blog para conhecer.

Abraços