domingo, 28 de março de 2010

Eclipse

É sempre assim.
Você vestido de Sol, eu com trajes de Lua...
E num eclipse de instantes,
procuro em vão a razão
do desencontro de ser tão tua
sem morar no teu coração.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dias

Dias são vinte e quatro horas
que nascem na madrugada
e morrem beijando a lua.
O resto, são as horas soltas,
despregadas do tempo,
incontadas pela vida.
Sagradas.

sábado, 6 de março de 2010

Rimas Passantes

O Tempo, tão cíclico, parou de passar. Quebrou a ampulheta, vazou do relógio, fugiu para longe e parou de mudar. Estagnou-se o meu cansaço. Estagnaram-se minhas vontades. Minhas falas, antes tão estridentes, calaram-se num silêncio morto. O Tempo não quer mais farrear.

Indolente, o menino Tempo cansou-se desses caminhos íngremes, das estradas tortas, das mil curvas mortas, não quer caminhar. Tem os pés cansados, o corpo castigado, sente sede e sono, não quer me levar. Peço carona em suas costas, recebo em resposta um muxoxo do Tempo ocioso que quer descansar. Ah, esse Tempo travesso... Menino que só quer embirrar! Está ali estirado, inerte na cama daqueles que já não mais precisam andar. Cama azul. Mundo azul. Vida cinza de céu nublado.

Mostro a ele que o dia não chega se ele não for buscar com aquelas suas mãos afáveis de quem sabe que a vida tem que pra frente andar. Falo da Lua, redonda e bela, cansada do céu, querendo descansar. Perto, aponto as horas congeladas dos ponteiros parados, nas cinzas das horas dos minutos futuros que não vão chegar. Tempo, passe tempo... Quero ver da vida o que ela pode me dar!

Quero esquecer o amor antigo, a raiva passada, o medo escondido no porão mofado. O Tempo não quer ajudar na faxina, não quer me abraçar. Preguiçoso, não quer secar com o vento as lágrimas, não quer trazer os sorrisos que guardei nos recantos de meu futuro. Nem o futuro vem! O passado já foi e não tenho onde me encostar. Olho pela janela, tudo parado. O Tempo parou de passar.

Passe Tempo... Gire os ponteiros, volte a vagar. Nunca mais brigarei contigo quando, de sôfrego, resolver me assaltar. Pior é a vida parada daqueles que não se deixam mudar.