quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Querência

Queria ver-te, amor.
Ver-te para conversar,
observar seus olhinhos castanhos
pousarem como um íma sobre mim.
Juntos somos sempre mais que dois.
Não sobramos um no outro.
Somos exatos, enfim.
Queria ver-te, meu amor...
Viver, cantar, amar e fim.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sussurros





...Postada como imagem pois, simplesmente, no blog não consegui fazer a fonte no tamanho que eu queria...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Um pedacinho de Drummond

Poema das Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás das mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade



Já fazia algum tempo que Drummond não vinha visitar o CONTRAPONTO. Resolvi abrir as portas novamente pra que ele entrasse. O motivo? TODOS, merecem se deliciar com as saborosas palavras desse Itabirano de sete faces. Essas palavras doces, calmas e hospitaleiras que todo bom mineiro sabe oferecer.

Leio os versos, e posso sentir a calma impregnada nas rimas, sentir como quem inspira para dentro de si o cheiro do café feito na hora e da broa de fubá acabada de sair do forno. Vejo fogão a lenha. Vejo faces, vejo cores. Mas principalmente, vejo sentimento. Vejo um mundo simples e belo, prestes a ser descoberto...E tento descobrir com as palavras vagantes e boêmias dele alguma novidade; Mas uma novidade antiga, que sempre esteve sem que eu percebesse. Drummond mostra-me meus bondes (e as pessoas viajando dentro deles), as paisagens escondidas bem dentro do meu coração, as memórias "muito mais que lindas" que para sempre ficarão. Ele me abre os olhos para a beleza simples da vida. Ele abre minhas portas para mim.

Pois é, Carlos, também sou gauche, também sou mineira...e também, "mais vasto é meu coração".

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ser

Preciso
Teu colo,
Teu cheiro,
Meu cheiro,
Teu nome.
Despe-me,
Beija-me,
Abusa,
Me usa,
Me morde...
Sou fruta,
Pedaço,
Teu mundo,
Teu chão.
E sou Lua
Em glória!
Vitória!
Pedaço do teu coração.
Brilhante,
Tua noite.
Velando
Teu sono,
Tuas flores,
Amores.
Doçura,
Paixão.




...Trilha sonora: Finalmente (Ney Matogrosso/Pedro Luis e a Parede)...
"A vida toda eu esperei essa glória,
beijar mordendo esses teus lábios de fruta..."

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Costurando estrelas

Costurava estrelas quando chegaste.
Robusto e belo.
Brilhante e calmo.
Costurava e parei.
Observei teus caminhos.
Tive medo e não segui...
O céu me chamava aflito.

Costurava estrelas quando foste embora.
E eu continuei reticente.
Linha indo, linha voltando.
As estrelas brilhavam e eu as unia uma a uma,
sonho a sonho,
faina a faina,
tecendo uma rede brilhante.
Por toda a vida.
Lá de baixo, vejo contemplarem meu trabalho imenso
perdido nesse azul errante.
Lá em baixo eles sonham.
Lá embaixo eles amam.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Raio

Por Yasmin Lara e Márcio Vandré

Raio, brilhe em meus campos
enquanto flutuam meus pensamentos e eu.
Se há algo que traz meu canto, outra coisa inspira adeus.
Dentro sou tudo, completa e quase nada.
Buracos negros na alma,
espírito tentando ser livre
e sorrisos perdidos na estrada

E se quedo em pranto, outrora sou santo
e sendo santo, peco.
Um Deus punitivo me abre o peito.
Eu, pobre humano, nessa pena me enriqueço
E até me esqueço que ainda terá o amanhecer.

Raio que brilha em meus campos, vem e me faz renascer.

sábado, 10 de julho de 2010

Para Ele

Basta um pequeno instante
Roubado das horas passantes,
Uma pequena lembrança tua. E basta!
Nela viajo longe...
Ondulando em sonhos pros teus braços.

domingo, 13 de junho de 2010

Branco.

Queria escrever, mas as palavras não vinham. Faltava a caneta. Faltava a história. Pensando bem, a história bem que existia, ausentaram-se foram os termos, as rimas ricas, as frases chacoalhantes. Eu tentava. Incansavelmente. Na cabeça, as letras embaralhadas, um sentimento louco para ser dividido nas linhas e entrelinhas...O amor escapando pelos dedos, a andorinha voando lá fora, a lua enamorada e redonda, zombando de meu desespero. Meus olhos tudo podiam ver do mundo -suas belezas, seus tormentos- mas as mãos, congeladas, não me respondiam.Inertes.
Devo ter perdido meu toque.
Devo ter perdido as palavras.

Sinto-me sozinha, o frio arrepiante entrando pela porta escancarada. As folhas vazias do caderno olham para mim e eu não decifro as expressões brancas em sua suuperfície lisa e inútil. Nada de contos. Nada de fadas. Por dentro, eu grito. POr fora, eu nada. Fico com pena de amassar a tal folha branca, embora queira rasgá-la juntocom todas as minhas frustrãções. Me calo. Paro. Não me aquieto. Espero sentada que elas voltem (essas palavras danadas!)...Como disse há pouco: Histórias existem. Fugiram as minhas palavras. Fugiram do mundo e agora resolveram escapar para longe de mim.
Em branco a folha. Em branco Yasmin.

sábado, 8 de maio de 2010

Instante.

E eu olhei pra ele.

-Será que chove agora? - Ele disse.


"Ah, queria dizer que te amo, afogar-me em seus olhos. Chorar tua ausência,
matar minha fome. Queria abrigar-me em teus braços, ganhar teus sinceros beijos,
trazer de volta meu sonho, expressar meus desejos.
Saiba que te amo. Simplesmente. Sem orgulho. Sem expectativas. De mente aberta,
alma limpa.
Quero dizer que tenho medo de dizer adeus, um pavor amargo de que não volte.Não quero perder esses momentos poucos de sua presença, não quero vagar tão sozinha.
Direi! Minha boca ensaia. Abre-se um pouco. O medo me visita.
Eu direi! Direi que quero chamar-te meu.
Quero que me chames "minha".
Direi!
Esse é o momento!
Direi: Me abraçe! Me siga! Me ame!
É esse o momento. Direi! Direi! Direi!"


-Espero que não essa noite. Faz muito frio e não tenho como me aquecer...


E ele foi embora. No colo silencioso das minhas reticências.


"...foi só por um segundo, todo o tempo do mundo. E o mundo todo se perdeu..."(Maria Rita)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Dualidade

Somos dois.
Duas retas.
Dois traços.
Duas questões.
Duas palavras não ditas,
engasgadas no peito arfante.
Somos dois lados opostos.
Mas somos dois, apenas.
Desencontrados e paralelos.
Incompletos, enfim.

domingo, 4 de abril de 2010

Um tanto de Neruda

Escolhi para postar um dos poemas que mais gosto de Pablo Neruda. No momento, ele diz tudo. Ainda que minha caneta se cale. E eu também.

Posso escrever os versos mais tristes essa noite

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo:
"A noite está estrelada,e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Eu a quis e por vezes ela também me quis.
Em noites como esta a tive entre meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela me quis, por vezes eu também a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos?
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Pensar que não a tenho, sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la?
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo.
Ao longe alguém canta.
Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de agora, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, o mesmo tanto que a amei.
Minha voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro.
Como antes dos meus beijos.
A voz, seu corpo claro.
Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta a tive entre meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.


domingo, 28 de março de 2010

Eclipse

É sempre assim.
Você vestido de Sol, eu com trajes de Lua...
E num eclipse de instantes,
procuro em vão a razão
do desencontro de ser tão tua
sem morar no teu coração.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dias

Dias são vinte e quatro horas
que nascem na madrugada
e morrem beijando a lua.
O resto, são as horas soltas,
despregadas do tempo,
incontadas pela vida.
Sagradas.

sábado, 6 de março de 2010

Rimas Passantes

O Tempo, tão cíclico, parou de passar. Quebrou a ampulheta, vazou do relógio, fugiu para longe e parou de mudar. Estagnou-se o meu cansaço. Estagnaram-se minhas vontades. Minhas falas, antes tão estridentes, calaram-se num silêncio morto. O Tempo não quer mais farrear.

Indolente, o menino Tempo cansou-se desses caminhos íngremes, das estradas tortas, das mil curvas mortas, não quer caminhar. Tem os pés cansados, o corpo castigado, sente sede e sono, não quer me levar. Peço carona em suas costas, recebo em resposta um muxoxo do Tempo ocioso que quer descansar. Ah, esse Tempo travesso... Menino que só quer embirrar! Está ali estirado, inerte na cama daqueles que já não mais precisam andar. Cama azul. Mundo azul. Vida cinza de céu nublado.

Mostro a ele que o dia não chega se ele não for buscar com aquelas suas mãos afáveis de quem sabe que a vida tem que pra frente andar. Falo da Lua, redonda e bela, cansada do céu, querendo descansar. Perto, aponto as horas congeladas dos ponteiros parados, nas cinzas das horas dos minutos futuros que não vão chegar. Tempo, passe tempo... Quero ver da vida o que ela pode me dar!

Quero esquecer o amor antigo, a raiva passada, o medo escondido no porão mofado. O Tempo não quer ajudar na faxina, não quer me abraçar. Preguiçoso, não quer secar com o vento as lágrimas, não quer trazer os sorrisos que guardei nos recantos de meu futuro. Nem o futuro vem! O passado já foi e não tenho onde me encostar. Olho pela janela, tudo parado. O Tempo parou de passar.

Passe Tempo... Gire os ponteiros, volte a vagar. Nunca mais brigarei contigo quando, de sôfrego, resolver me assaltar. Pior é a vida parada daqueles que não se deixam mudar.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Fim.

Batia forte uma vontade sua,
Rasgava-me por dentro a ausência de seus beijos.
Uma a uma, iam embora minhas vontades. Minhas vaidades.
Nada seria como antes.
O meu mundo partira.

Rumo.

Reparei que na ampulheta, as horas passavam sorrateitas e sorridentes . O tempo mofado, inventava motivos sem nexo para continuar caminhando, ainda que mancando. Caminhava...Arrastando-me para longe. Eu pedia socorro, mas minha voz era inaudível aos ouvidos passantes, caminhando ao meu lado nem notar. Rostos cinzas, sem rumo, tomando estradas desconhecidas. Sempre apressadas, correndo léguas para chegar a lugar nenhum. Eu segui também, levando em minha bagagem com peso de nuvem algumas lembranças adocicadas, mágoas aborrecidas de outros tempos e um tantinho de esperança dormente, apenas esperando a hora certa para amadurecer. Fui. Senti medo, mas fui. No fim das contas, os dias são todos iguais. Mudamos nós. Mudam nossas visões.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Selando

Acabei de ficar imensamente feliz! A Laís (http://leisdalais.blogspot.com/) indicou o blog para um selo.
Embora esteja um pouco -muito- sumida, isso me motiva bastante a continuar escrevendo. Assim que a inspiração voltar a dar o ar de sua graça, claro. Rs.
Obrigada, Laisinha. Pelo carinho, e por sempre passar por aqui. Beijos pra senhorita.



*Regras básicas: 7 coisas sobre mim *


1- Sou uma violinista perdidamente apaixonada pela música em todas as suas formas.
2- Adoro cantar (mesmo que não seja meu forte, rs)
3- Fico ensandecida quando surgem os brancos criativos.
4- Sou imensamente dramática.
5- Cinema é meu hobby favorito.
6- Adoro gastar meu tempo livre em exposições de arte.
7- Leitura é para mim como o ar que respiro.


*7 blogs indicados*


1- http://normalidadepsicotica.blogspot.com/
2- http://olhardentrodosolhos.blogspot.com/
3- http://enfimnucomovim.blogspot.com/
4- http://segredoscoalhados.blogspot.com/
5- http://contraotedio.blogspot.com/
6- http://varniontheblack.blogspot.com/

Mais uma vez, meu agradecimento à Laisinha.
Beijos a todos

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

As palavras carregam o sentido
de minha vida finita e incompleta.
Eis a alegre tristeza
de ser um pouquinho poeta.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Selando

Indicada a esse selo pela Luiza (www.luizadefato.blogspot.com). Muito obrigada pelo carinho e por sempre passar por aqui. Parabéns pelo blog maravilhoso !







Eis as regras:

1 - Escrever uma lista com oito características minhas.
2 - Convidar oito blogueiros para receber o selo.
3 - Comentar no blog de quem deu o selo.
4 - Comentar nos blogs que vão receber o selo.



1-
Tímida, medrosa, pensativa, agitada, criativa (embora a criatividade chegue simplesmente quando quer), intensa, impulsiva, orgulhosa.

2

http://enfimnucomovim.blogspot.com/
http://normalidadepsicotica.blogspot.com/
http://olhardentrodosolhos.blogspot.com/
http://sentidosdos2.blogspot.com/
http://segredoscoalhados.blogspot.com/
http://sergiopachecoartesplasticas.blogspot.com/
http://sergiopachecoartesplasticas.blogspot.com/
http://polifoniadownload.blogspot.com/

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Inspiração

As palavras fogem.
Correm para longe...
Fogem, e eu não alcanço.
As rimas escapam por meus dedos,
os verbos escapolem, teimosos
para um outro e longe lugar.
Para bem longe de minha tinta.
As palavras fogem.
Eu me resigno.
Espero que voltem para novamente me amar.
Eis o limite da minha capacidade.



...Infelizmente, minha inspiração resolveu tirar férias, rs, por isso ando tão sumida ultmamente. Esperemos que ela volte descansada então... beijos a todos.