domingo, 29 de novembro de 2009

Fome

Dá-me um vazio no peito,
uma fome danada...
De que?
De quem?
Não sei.
Procuro e não acho.
É um buraco profundo,
labirinto de salas vazias.
Horas desgastadas.
Já desbotadas.
Luzes apagadas.
E essa fome danada...
Esse vazio no peito...
De que?
De quem?
Não sei.
Me procuro e não me acho.

domingo, 22 de novembro de 2009

Instante

Letras.
Gravura.
Rimas.
Descompasso.
Motivo: literatura,
Sem tempo, sem amor.
Sem espaço.

Tempo.
Vento.
Momento.
Passo.
Tudo, tudo é amargura.
Vida nublada que passa,
Longa vida que não dura

sábado, 14 de novembro de 2009

Tempo

A música acabou,
o som leve cessou,
e nem vi tudo parar.
A curta vida acabou,
o momento exato passou,
e nem vi se acabar.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Primaveras

Hoje completos 19 primaveras. Nem sempre floridas. Nem sempre tempestuosas. Sempre passageiras.

Completo 19 anos de existência, mais um dia perto da "indesejada da gente", como diria o sábio Manuel Bandeira. São pequeninos 19 anos diante da eternidade. 19 anos de desventuras em série, de aventuras esplendorosas. 19 anos de emoções diversas, de coleções de histórias para contar pelos ventos. Possuo bagagens para carregar pela vida a fora. Algumas, mais pesadas do que acho que consigo carregar. Mas carrego assim mesmo, para não deixar nada pra trás. Outras bagagens são leves como pluma, feitas do material impalpável dos sonhos escondidos em minhas gavetas trancadas. Indecifráveis.

Essas 19 primaveras não poderiam ser 19 primaveras sem a presença quase mágica das flores ao meu redor, emprestando um pouco de seu brilho ao todo, fazendo com que cada dia ensolarado valha a pena. Lembrando-me que os invernos tenebrosos sempre irão passar. Essas mesmas 19 primaveras não poderiam ser chamadas 19 primaveras sem a presença indesejável das ervas daninhas que também insistem em povoar meu jardim, fazendo com que eu nunca me esqueça de que também é preciso ser infeliz. Mas só um pouco.

Completo mais essa primavera, como sempre, incerta. Não possuo a vaga idéia de que estrada tomar. Sigo por alguns caminhos desconhecidos e tortos, a terra seca, prontos para serem semeados. E semeio vento, sonho. Algumas vezes, pesadelos. Poucas vezes. Vez ou outra tomo um atalho, noutras vezes, quero o caminho mais longo. Há dias em que teimo em voltar alguns passos para ver o que deixei para trás (a saudade convence-me com suas lamentações). Volto, olho, choro ou sorrio, continuo o passo. Em outros dias, sigo adiante rumo ao horizonte sem nem sequer olhar para trás. Nesses dias sou mais contente.

Vou indo, tocando em frente com esse corpo e alma mutáveis, tal como a lua. O corpo franzino e frágil de algumas estações, a alma idosa e dura de longos invernos.

Sigo com meus versos vãos e notas descompassadas. Mas não me importo. Amo o descompasso, o grito, a ausência de respostas, a falta de regras que me ensinem como seguir. Mas sigo. Teimosamente, eu sigo. Errando o andamento, assassinando a gramática.

Parto a cada novo amanhecer. Sou nova flor a cada instante, tentando podar meus excessos, ocupar minhas ausências excruciantes. Hora consigo, hora não. Paciência? Sobra-me e falta-me. Assim mesmo, na metade.

Parto sim, com a certeza de que meus botões coloridos um dia irão secar, que suas folhas secas desprender-se-ão dos galhos verdes, voando para um outro e longe lugar. O jardim seguirá seu curso, outras flores irão chegar, outras primaveras...Outro curso. Mas minhas lembranças de flores - tão lindas, tão raras! - hão de para sempre ficar.




4º Motivo da rosa

(Cecília Meireles)


Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.


Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Selo - Pega a Cadeira e Senta

Primeiramente, gostaria de parabéns o Márcio Vandré. Seu blog maravilhoso acabade completar um ano. Um ano de textos maravilhosos que sempre me encantam. O mais engraçado, é eu quem ganhei o presente, um selo lindo !
Muito obrigada, moço !!








Agora, outros seis blogs que amo ler:

1 - http://luizadefato.blogspot.com/
2 - http://sentidosdos2.blogspot.com/
3 - http://varniontheblack.blogspot.com/
4 - http://enfimnucomovim.blogspot.com/
5 - http://segredoscoalhados.blogspot.com/
6 - http://olhardentrodosolhos.blogspot.com/


Marcinho, mais uma vez: muitíssimo obrigada. Tudo de bom para ti, meu amigo!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Selo - Café Preto

Agradecendo ao Márcio Vandré (www.contraotedio.blogspot.com) pelo selo. Muito obrigada mesmo, moço.
Mais que o selo, agradeço a amizade. Um selo vindo de alguém tão talentoso é uma honra para mim.
Abraços.




Indico os seguntes blogs para o selo. Todos merecedores. Todos maravilhosos.

1 - http://olhardentrodosolhos.blogspot.com/
2 - http://luizadefato.blogspot.com/
3 - http://varniontheblack.blogspot.com/
4 - http://sentidosdos2.blogspot.com/
5 - http://sergiopachecoartesplasticas.blogspot.com/

domingo, 1 de novembro de 2009

Borboleta

Perdoe a mim, amor desencontrado,
essa minha vasta e grande demora.
É que não sou a favor do tempo,
ando de mãos dadas ao vento,
e com ele vou-me embora.
Aguarde alerta a minha chegada,
que um dia ,enfim, apareço.
Nunca te vi, mas não te esqueço.
Só vôo longe, desgarrada.
Perdoe, sim, essa amarga demora.
Nosso imperdoável desencontro.
Sei que tudo já está pronto,
mas não sei chegar agora.




Imagem: Alegoria da Seda, Salvador Dalí