segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Coexistência

Há tanto amor em mim, enclausurado, que quero encontrar quem o mereça para que não exploda em fogos de artifício algo em meu íntimo, transformando-me em torrente nervosa e vadia vazando para fora de mim, indo para algum outro lugar.

Tenho tanto aqui, guardado a sete chaves, que vazo. Sobro. Sou grande e não me caibo. O amor toma-me por completa, e não satisfeito em roubar-me a sensatez de outros pensamentos menos complexos, cresce como um matagal em campo aberto. Irrefreável. Crescente, quer ocupar-me mais do que tenho a oferecer, por isso expulsa-me de mim. Não mais me pertenço.

O amor egoísta que cultivo em meu peito quer logo uma outra casa para se ampliar, pois ele mesmo não se aguenta e não se cabe. Sou casa pequena, incompleta, mal pintada. E assim vai...matando-me por dentro como um verme parasita. Mas ainda sim, coexistimos. Vez ou outra sou eu quem parasito o amor, roubando-lhe silenciosamente algumas migalhas para alimentar-me de sonho. Ele, por sua vez quer minha vida, meus anseios, meus profundos desejos. E os têm.

Quero ainda mais do amor, quero sua euforia pueril, sua dor excruciante. Apenas para falar que sinto. Sentir é bom. E nossos vazios são tão imensos que unidos, se completam. E nesse encontro, somos como dois rios cheios que se encontram furiosamente. Eu e o amor. De nosso abraço, forma-se uma onda gigantesca que não encontra lugar para dar vazão a tanta fúria. E vaza. Hora pelos meus olhos, como espelhos de águas calmas, derramadas silenciosamente pelos traços de meu rosto. Hora, pelas linhas mal escritas num papel borrado. Assim vivemos os dois. Vazando. Coexistindo. Mas amando...

13 comentários:

Camila disse...

Texto perfeito!! Vc escreve mto bem, parabéns!

Yasmin Lara disse...

Obrigada, moça!

abraços

Naiara disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Naiara disse...

Yah

Sem palavras p dizer o qnt esse texto eh lindo e qnt de vc eu vejo nele. Continue assim ó: escrevendo e me emocionando. beeijos queridaa.

Yasmin Lara disse...

Obrigada, Naya!!

E sobre aquele seu texto, só pedir que escrevo mais, rs. Adoro vc
beijos

Naiara disse...

ahh pode deixar q eu vou pedir msm. não vou esquecer.

Márcio Vandré disse...

Há tanto amor não só em ti, mas no mundo todo.
Muitos choram sentados nas velhas pontes de madeira.
Vêem o rio passar.
Vêem a esperança chegar e partir.
Vêm a amargura.
O desejo do porvir.
Melhor.
Horizonte.
Semblante sincero e tênue.
Olhares macambúzios e cheios de lágrima.
Ela pôs a melhor roupa.
E só o vento chegou...

Yasmin Lara disse...

Lindo isso, Marcinho !!
Adorei !

Obrigada pelo comentário.
beijos beijos beijos

=)

Varnion, o lobo solitário disse...

Você escreve muito bem e eu já sabia disso. Você tem capacidade de escrever qualquer gênero.

Adorei
beijos

Yasmin Lara disse...

Obrigada, Bruno!!

Beijos
=)

Laís disse...

Olá Yasmim!!! =)

O Marcin me falou do seu blog ontem, aí eu dei uma olhada!!!
Comentei com ele que esse seu texto havia me chamado muito a atenção: é muito cheio de sensibilidade e você se expressa muito bem. =)
Parabéns!!!!

Obrigada pela visita ao meu blog!!!
Estarei te seguindo aqui!!

Beijão!!!!!!

Luana Lins disse...

Ya, adorei! Seu ritmo novo de escrever me impressionou. Gostei!

Yasmin Lara disse...

Olá, Laís! Obrigada pelo comentário.
Seja bem vinda ao blog!

abraços!!


Hey, Luh! Andou sumida, moça!
Obrigada pelo comentário. Sudades de vc.
Beijos

=)