quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Impromptu

Ela bem que tentou. Por anos, levou aquela promessa de “para sempre” dentro do coração pulsante, naquela esperança quase pueril de realização de um sonho de longa data. Mas chegou o cansaço e levou tudo embora. Desde as lembranças sagradas de mil beijos quentes, até as memórias mais tristes que teimaram em acontecer.

Queria bem que não tivesse sido assim. Mas foi. Nada mais a fazer. Já não era mais aquela adolescente mimada disposta a cruzar fronteiras para o ser amado. Ela havia crescido. Também por dentro. Bastava de promessas inúteis e de vontades vãs. Que ele ficasse com a sua outra. Nem tão amorosa. Sem tantas histórias. Ele que seguisse sem ela, pois se cansara de olhares mentirosos e abraços passageiros feitos de carência, abandono e desespero.

Olhou para si mesma pelo retrovisor do carro. Outra. Mais nobre. Com os olhos inchados. Para onde dirigia? Não sabia...Mas ia! Sem rumo... A estrada era o que importava. A estrada, suas árvores, seu asfalto e aquelas gotas grossas e transparentes que caíam do céu. Como lágrimas. Tempo nublado e frio. Coração frio e nublado. Soluços. A certeza do fim, mas também, aquela certeza completa de quem faz a coisa certa.

O pára brisa trabalhava, enlouquecido. Ela abriu a janela e jogou para bem longe a aliança prateada que tirara violentamente do dedo num segundo de raiva. Ele nem tinha mais a dele. A dela era antiga. Como seu amor. Enferrujada.

A estrada ia e o carro a levava sabe-se lá para onde. Ela nem ligava. Gostava do mistério.

...Dando continuidade a esse meu surto de posts imensos, postei um texto feito sob medida para uma amiga especial. Uma encomenda, para falar a verdade. Como a realidade fora dessas linhas não é tão bonita nem tão romântica (como tudo na vida), resolvi dar uma de Yasmin e colorir tudo. Uma metáfora aqui, uma firula ali...Espero sinceramente que ela não se importe.
Então moça, para você. Como prometido!
Mil abraços fortes de agradecimento por ter me emprestado um pouquinho da sua história !...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Coexistência

Há tanto amor em mim, enclausurado, que quero encontrar quem o mereça para que não exploda em fogos de artifício algo em meu íntimo, transformando-me em torrente nervosa e vadia vazando para fora de mim, indo para algum outro lugar.

Tenho tanto aqui, guardado a sete chaves, que vazo. Sobro. Sou grande e não me caibo. O amor toma-me por completa, e não satisfeito em roubar-me a sensatez de outros pensamentos menos complexos, cresce como um matagal em campo aberto. Irrefreável. Crescente, quer ocupar-me mais do que tenho a oferecer, por isso expulsa-me de mim. Não mais me pertenço.

O amor egoísta que cultivo em meu peito quer logo uma outra casa para se ampliar, pois ele mesmo não se aguenta e não se cabe. Sou casa pequena, incompleta, mal pintada. E assim vai...matando-me por dentro como um verme parasita. Mas ainda sim, coexistimos. Vez ou outra sou eu quem parasito o amor, roubando-lhe silenciosamente algumas migalhas para alimentar-me de sonho. Ele, por sua vez quer minha vida, meus anseios, meus profundos desejos. E os têm.

Quero ainda mais do amor, quero sua euforia pueril, sua dor excruciante. Apenas para falar que sinto. Sentir é bom. E nossos vazios são tão imensos que unidos, se completam. E nesse encontro, somos como dois rios cheios que se encontram furiosamente. Eu e o amor. De nosso abraço, forma-se uma onda gigantesca que não encontra lugar para dar vazão a tanta fúria. E vaza. Hora pelos meus olhos, como espelhos de águas calmas, derramadas silenciosamente pelos traços de meu rosto. Hora, pelas linhas mal escritas num papel borrado. Assim vivemos os dois. Vazando. Coexistindo. Mas amando...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Poeminha Bobo

Lua, Lua, diga-me, Lua:
Não te cansas de brilhar?
Não vês que esse moço danado
não consegue parar de te olhar?

Lua, Lua, ensina-me, Lua
a nobre arte de rimar.
Quem sabe assim, com essas palavras,
o moço eu não possa conquistar?

sábado, 19 de setembro de 2009

Mais uma vez (de novo)

Achei que tinha perdido,
pensei que tinha partido
esse palpitar animado
que tomava meu coração.

Eis que chegam novos tempos,
novos ares, outros ventos
trazendo para dentro de mim
essa velha e nova emoção.


...com o perdão da redundância...







Imagem: http://br.olhares.com/o_coracao_foto509622.html
Artista: Nuno Ricardo Chaves

domingo, 13 de setembro de 2009

Colo

Não chores flor,
que assim morre um pouco de meu mundo,
teu pranto leva-me a lagos profundos
de onde não irei mais sair.
Não chores flor, que essa canção é bela.
Ainda que não escutes esses acordes dela,
ainda que tudo que vejas seja um mundo a te desiludir.
Não chores, pois te pegarei no colo
e te embalarei até que amanheça um novo dia,
até que tudo vire simpatia,
até que tudo pare de mudar.
Durma e não chores flor,
pois todo esse pavor e ira
nada mais são que mentira
e o sol já vai despontar.





Imagem: http://br.olhares.com/lagrima_foto1327005.html
Artista: Gilson Carrara


...Chan, Chan, Chan...pare de chorar na frente da tua irmã que ela não aguenta uai. Assim não pode, rs. A senhorita está proibida de assistir filmes tristes. E tenho dito!...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Passos

Passo, não paro.
Trilhando mil passos
nesse solitário e inútil vagar.
Vou e não volto.
Busco o que sonho
em um longe e outro lugar.



Imagem: http://br.olhares.com/pe_ante_pe_sincronizando_os_passos_foto571882.html
Artista: Paulo Cesar

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Noite

Ela brilha no alto, inspirando teu sonhar.
Longe...Longe...Faz-se bela!
Ah, quem dera olhar-me no espelho
e ver beleza radiante como a dela!