quinta-feira, 30 de abril de 2009

Escrever é esquecer.


Estava eu, perambulando pela internet, quando encontro uma citação de Fernando Pessoa que nunca tinha lido antes, e resolvo que ela merece uma postagem só para ela!!

"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

Fernando Pessoa"



Realmente me sinto tal como disse Pessoa. Escrever é, de fato, esquecer. Na verdade, quando escrevo, até eu me esqueço de mim, do que sou e como vivo. Acho que por isso gosto tanto.

Acredito, que as palavras que saem de mim, embora não contenham nem metade daquilo que eu possivelmente sinto, tapam os buracos deixados pelo meu cotidiano. Buracos que só eu conheço e que só eu entendo. Quando escrevo, crio mil coisas que queria viver e não consigo, que queria ver e não enxergo. E pior....que queria sentir e não me permito.

Escrever é um ato tão urgente quanto matar uma saudade. Completando... dizendo bem mais do que está ali explícito. Escrever é como mergulhar fundo em si mesmo, nas entrelinhas do ser, e tentar entender o que está lá dentro, bem no fundo, e transmitir a outro, que talvez não entenda -e não entenderá mesmo, na maioria das vezes -. Escrever é uma loucura, um descompasso, um desacerto, uma coisa sem explicação. Talvez por isso, seja um processo tão perfeito e completo em si mesmo.


Imagem: site www.olhares.com
Galeria da Autora Carla Salgueiro (...entrego-te as linhas que não sei escrever)

Um comentário:

Varnion, o lobo solitário disse...

O escritor para o papel é deus. Cria vidas, cria mundos, cria fantasias ou, simplesmente, destroi tudo sem se preocupar pois é dele o mundo que ali está escrito e inscrito.

Gostei do post