quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Maçãs do Topo


Amei, adorei a seguinte citação:

"Mulheres do topo da Árvore

As Melhores Mulheres pertencem aos homens mais atrevidos. Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim, as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados... Elas têm que esperar um pouco mais para o homem certo chegar... aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."

(Machado de Assis, grande Machado de Assis)

Além de ter achado o texto incrivelmente contextualizado com a minha vida, achei-o hilário.Incrivelmente hilário. Pensei nas "mulheres melancias" da atualidade, e me lembrei que melancias são frutas rasteiras.Isso explica muita coisa. Lembrei-me das "mulheres-jacas", reparem que a maioria das jacas acabam despencando no chão antes de serem aproveitadas. Infelizmente me lembrei das tais "mulheres maçãs", mas achei uma explicação: essas provavelmente são as maçãs que caem no chão, ou as que estão nos galhos mais fáceis, apenas esperando as mãos de algum homem faminto para devorá-las.

Ser maçã do topo não é fácil. É necessário muita paciência, muita boa vontade. Mas vale a pena. Vale muito a pena. Só de saber que não somos simplesmente frutinhas de um pezinho qualquer, já é um começo. Deixemos pra lá os homens das saladas de fruta, das vegetações rasteiras. Esses se contentam com qualquer créu, qualquer frutinha podre. Homens de verdade preferem as frutas maduras, as do topo. Sejamos maçãs do topo. Sejamos mulheres machadianas. Enfim...sejamos mulheres, e não objetos.

Um pouco de cinema : A dona da História

Linda cena de Rodrigo Santoro (Luis Cláudio) e Debora Falabella (Carolina) no fimle "A Dona da História", que na minha opinião é um dos melhores filmes de romance brasileiros.





"A noite perguntou ao bobo:
- O que te importa nessa vida além do amor dessa menina?
E o bobo respondeu:
- Nada mais, noite, só o amor de Carolina.
- E a tua luta?
- Carolina.
- E o poder?
- Carolina.
- E a glória?
- Carolina.
- E o mundo mais justo?
- Carolina, Carolina, Carolina. Eu quero que o mundo se exploda! E se eu não tiver Carolina, nada mais me importa nessa vida. Eu sou o bobo da tua noite, menina. Eu sou o homem da tua vida."

Love you till the end (Pogues - P.S. I love You)



Filme maravilhoso e gracinha de trilha sonora!
"Eu amo você até o fim"

Lição do Camaleão


Li um uma frase incrivelmente interessante a um tempo atrás (não me lembro onde) e ela ficou na minha cabeça. Refleti, pensei, amei.A frase é a seguinte: "De que cor são os camaleões quando se olham no espelho?"Lida assim, do nada, ela parece ser uma perguntinha idiota, quase infantil.Mas eu gostei tanto da frase que parei, pensei e me apaixonei. Me identifiquei.Até pesquisar um pouco sobre esses animaizinhos singelos eu pesquisei pra escrever um pouquinho sobre essa frase de efeito. E que efeito! Bem, esses lagartos são conhecidos por sua capacidade de mimetismo com o meio ambiente - leiam mimetismo como a capacidade de se confundir com outro organismo - . O resto que eu descobri é interessante ( descobri por exemplo que os seus olhos conseguem se movimentar independentes um do outro,e que o corpo desses lagartinhos podem ter até 60 cm de comprimento...), posso até dizer que passei a gostar desses bichinhos, mas da minha maneira especial: uma admiração de longe. Eles lá e eu cá.

Temos mais em comum com camaleões que podemos imaginar(mas não, não me refiro aos nossos olhos nem a nossa estatura). Eu mesma admito: me descobri um camaleão de momento! Quantas vezes não usei minha noção de mundo como mimetismo, adaptando-me a gostos, absorvendo ideias, sumindo em meio a tantas vaidades, futilidades e idiotices... Eu mesma já cheguei a me confundir sobre mim mesma. Até hoje me confundo pra dizer a verdade, e não me envergonho. Preocupante é saber se explicar com todas as letras.

Ser camaleão tem suas vantagens, mas ser todo dia é chato e cansativo. Por isso essa frase chamou tanto a minha atenção. "De que cor são os camaleões quando se olham no espelho?" A metáfora dessa frase é incrível!O que será que uma pessoa que não sabe ao certo quem é, que se esconde constantemente (digo constantemente, não de vez em quando) atrás de mimetismos, vê quando se olha no espelho?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Branco Poético


Hoje acoredei em um dia de completo branco poético.Não encontro palavras nem temas interessantes para escrever aqui. Tanto a ser dito, tão poucas palavras...
Talvez eu devesse falar sobre a música que toca(Clube da Esquina II, lindíssima por sina), sobre o calor infrenal que faz por aqui, sobre o filme que eu acabei de ver. Mas não! Até agora essa cabecinha teimou em não funcionar. E tento pensar, tento escolher, tento criar...mas nada sai!Se eu pudesse dizer uma palavra que resumisse tudo isso, diria: RETICÊNCIAS - que como diria Mário Quintana, são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho -. Então, muitas reticências pra vocês...

A propósito, amo essa palavra Reticências, e amo os três pontinhos misteriosos que pertencem a ela!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Um pouco de Salvador Dalí


Outro dia estava aprendendo Vanguardas na aula de literatura e me apaixonei perdidamente por Salvador Dali, o mais extravagante dos surrealistas. Apaixonei-me pela influência de Freud sobre as suas obras extravagantes e sobre os temas:sexo e todas as suas atribuições(angústias, medos,frustrações, traumas), a memória(permanência ou dissipação, muito marcadas pela figura dos relógios que se diluem em seus quadros), o sono e o sonho...

A obra de Dali que mais me chamou a atenção foi "Sonho provocado pelo voo de uma abelha em torno de uma romã, um segundo antes de acordar"(confesso que ainda conheço muito poucas). Num primeiro momento, achei a tela um emaranhado de loucuras, e vou dizer a verdade: odiei! Mas como estava sendo obrigada pela professora a ler a explicação para apresentar o trabalho, fiquei embasbacada com o texto sobre o quadro. Resultado: enlouqueci pela tela! Fiquei apaixonada com a riqueza dos detalhes e seus significados. Só pra vocês entenderem um pouco da minha paixão, vou deixar uma breve explicaçã: A romã e a abelha em pleno voo(que da nome ao quadro) aparecem bem pequenas na parte inferior da tela.No entanto,de uma projeção da romã à esquerda, salta um peixe, "vomitando" dois tigres que avançam sobre a mulher que dorme e sonha. A mulher levita, tendo ao fundo o mar da inconsciência, um elefante com longas pernas de pau, uma pirâmide de cristal que aprisiona uma mulher, uma baioneta. É tão perfeito o quadro, que no fim das contas, depois de tanta explicação, eu encontrei uma ainda mais simples(mas essa é uma opinião pessoal minha): todo o quadro, todos os devaneios do sonho da mulher, são causados pelo zumbido do voo da abelha no ouvido dela.

É ou não é apaixonante?Rs.

Teoria do Peixinho Dourado


Eu escutei uma frase uma vez e me identifiquei quase 100%: "O peixinho dourado quando preso em um aquário, cresce cerca de 50% menos do que se estivesse nadando livremente".Adorei.Achei até meio poético. Concluí: todo mundo tem um quê de peixinho dourado!

Toda vez que nos contentamos com menos do que merecemos, toda vez que nos adaptamos, que não dizemos, que nos calamos, estamos sendo como peixinhos dourados num aquário de vidro. De vidro, porque sabemos que temos outra opção, podemos olhar pra elas, mas nos contentamos com nosso pequeno espaço. E nadamos ali, nos limitando, nos encolhendo, nos adaptando.E sem perceber, achamos que o aquário nos basta.Mas ainda há muito para ver, para viver, para ouvir, pra viver! Eu quero mais é me tornar um golfinho...de peixinho dourado ficaram apenas as lembranças, lembranças de um pequeno espaço transparente que eu resolvi quebrar. Quero nadar em outras águas, conhecer novos horizontes!

Quero descobrir até onde posso crescer!
Quero arrebentar esse aquári de vidro que insiste em me aprisionar!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A vida só é possível reinventada...


Sou apaixonada por Cecília Meireles desde pequena, desde sempre, desde a primeira leitura.Desde que eu descobri que ela canta porque o instante existe.Sou apaixonada por essa idéia que ela tão maravilhosamente escreve em seus poemas, de que "a vida só é possível reinventada". Concordo. Cada dia é uma oportunidade de ser sempre o mesmo, sempre outro, renovado. Sempre aprendiz, ao mesmo tempo que se é mestre.O que mais me encanta em Cecília, é a sua simplicidade nas coisas profundas. Sua visão. Seu ideal. Vai aí um dos meus poemas favoritos, para que a gente se renove.Renove nossos gostos, nossos caminhos, nossas idéias.Um obrigada a Cecília.

Revova-te
Renasce em ti mesmo.
Multiplica teus olhos para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
para esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
SEmpre outro.Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Uma nova descoberta musical: Gotan Project

Pra quem gosta de música, deixo uma dica aqui, uma de minhas últimas descobertas musicais: Gotan Project.É um grupo formado em Paris em 1999 por três músicos: Philippe Cohen Solal (francês), Eduardo Makaroff (argentino) e Christoph H. Müller (suíço). Esses caras fazem um som super original, um novo estilo de tango: o tango eletrônico. Só por curiosidade, o nome "Gotan" é um anagrama da palavra tango.
Viram? Depois não entendem o que eu fico fazendo quase o dia todo na frente do computador. Digamos que esse meu hobby de pesquisar novos horizontes vem dado frutos, rs.

Segue aí um video da banda, pra quem animar a experimentar!!


Yann Tiersen - Comptine d'un autre été L'après midi






Pra quem não conhece, essa música é do Yann Tiersen, um dos melhores músicos da atualidade, na minha opinião.Esse francês,é caracterizado como um músico minimalista e melancólico, e suas composições são em sua maioria para piano, violino e acordeão. Ficou conhecido por compor as trilhas sonoras dos filmes "Good Bye Lenin" e "O Fabuloso destino de Amelie Poulain". Comptine d'un autre été L'a´près midi pertence à trilha sonora de Amelie (que diga-se de passagem, é um dos filmes mais lindos que eu já assisti). Vale muito a pena conferir!!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Um pouco de Bandeira...



Ontem fiquei o dia inteiro estudando "Meus Poemas Preferidos" de Manuel Bandeira para o vestibular. Me apaixonei. E peço licença a ele(onde quer que ele esteja) para postar dois dos meus poemas preferidos.

ANDORINHA

Andorinha lá fora está dizendo:
-"Passei o dia à toa, á toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, á toa...


NEOLOGISMO


Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.


->Não poderia também deixar de falar sobre esse nosso grande poeta modernista: Manuel Bandeira foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Seus poemas possuem caráter acentuadamente autobiográfico, e relatam sua infância, seus parentes e amigos, locais habitados e sonhados(Ah..Pasárgada,Pasárgada...), e sua vida difícil devido á tuberculose. Seus poemas também são marcados pela melancolia, pela nostalgia e pela saudade do que não existiu.
Resumindo tudo...é um poeta que da até gosto de ler. Eu recomendo!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Amigos e Colegas


Acabei de chegar do meu Simulado, e penso:"Nossa...último ano, finalmente!". Mas penso também na saudade que sentirei ano que vem. Saudades das brincadeiras em grupo, saudade das broncas dos professores, das discussões, das panelinhas...Engraçado como só nos damos conta das maravilhas da época do colégio quando já estamos perto da despedida, perto de finalmente mergulharmos de cabeça no mundo, queiramos ou não. E só restará a saudade.

Não poderia deixar de falar dos meus colegas de longa data(alguns de menos tempo, mas não menos importantes), que fizeram com que todos esses anos levantando cedo valessem a pena. Não vou mentir, dizendo que gosto de todos da mesma maneira. Seria uma mentira deslavada e cara de pau. Também não vou fingir que não vejo as torcidas de nariz, as fofoquinhas...mas isso faz parte. O importante, é que nesses últimos anos, eu tive ao meu lado todo tipo de gente, com todos os tipos de gostos. Gente para rir junto, gente pra desabafar. Tive até alguns amigos realmente sinceros que se foram. Não sei...acho que ainda não estou preparada pra me despedir deles, sabendo que cada um seguirá o seu caminho. Parece estranho, mas até daqueles que meu santo não bate eu sentirei saudade. Saudade das nossas colas, dos nossos apertos, mas principalmente da nossa união como turma.

Sei que esse meu próximo bimestre vai ser único e especial, pois vai ser o bimestre do adeus. O encerramento de mais uma etapa, pois é necessário crescer. A vocês, meus colegas de tantas aventuras e desventuras, deixo meu sincero agradecimento, tanto pelas brigas - que me ensinaram a vencer os obstáculos-, quanto pelo abraço amigo, o ouvido paciente. A vocês deixarei no fim do ano minhas saudades.

Tempos Bons - Crônica da Música Atual


Outro dia sentei-me para conversar com a família na varanda do sítio. Mesa redonda, família grande reunida, árvores, pasarinhos e o já conhecido barulho da bomba de água ao fundo. Avô, tios, pais, primos e eu, perdida naquele mundaréu de gerações. Nosso assunto favorito? Música! Três gerações de músicos e musicistas discutindo suas visões em uma varanda azul.
Meu avô recordava seus tempos de maestro, quando a juventude ainda apreciava uma boa música. Bailes de carnaval eram em clubes, ao som de marchinhas inocentes.

-Tempos bons aqueles...-Dizia ele, saudosista.

Eu conseguia imaginar fantasias brocadas, e seus donos a saltitar macarados e sorridentes ao som da música da banda do meu avô, bem mais jovem do que agora eu via. De Pixinguinha ao "Pirata da perna-de-pau".
Meus tios também resolveram relembrar.Anos 60,70...aquilo sim era música!Pixinguinha ainda era escutado, e admirado, mas a moda agora era MPB na veia. Minha mãe lembrava-se do ABBA, minha tia cantarolava músicas de Elis e Tom, no maior clima "Garota de Ipanema". Um tio meu também palpitou:

-Tempos bons eram aqueles...

Naquela época, pensei, música ainda tinha letra, as festas ainda eram bacanas e a juventude tinha por que cantar as letras de Gilberto Gil, Caetano, Betânia e Gal...tudo era lindo. O sentimento ainda misturava-se nas linhas e nas melodias. A música era a causa e a consequência de uma geração rebelde e lutadora.
Parei pra pensar. Nossa...como eu havia perdido coisas boas! Preferi ficar calada na minha cadeira tomando um refresco.Falar o quê?Tive vergonha ao pensar que a música de minha geração rima coração com popozão. Não tive coragem de cantar a música das paradas de sucesso, uma que tem cinco velocidades. Pensei nas festas de hoje, ao som de ritmo importado, com as mesmas rimas toscas da maioria das músicas nacionais. Ritmo gostoso, sem qualquer linha de sentimento.
Claro, ainda há os que cultuam o velho Pixinguinha, Tom e sua "Garota de Ipanema", Vinícius e suas letras casadas com ritmo, e se emocionam quando escutam algo novo e bom.Mas esses são a minoria...a pequena parte excluída entre tantos créus, cachorronas e saladas de fruta.
Estou na geração da valorização do ÃO.Do peitão, do bundão, do tutão(o que diabos é tutão?).Tudo com ão. Menos o cérebro e os ouvidos...esses ainda são inho. A juventude regrede pouco a pouco á época das cavernas, onde gemidos e grunhidos bastavam. E penso comigo: tempos bons eram aqueles do meu avô e dos meus tios, onde ainda havia um motivo pra cantar, pra se alegrar, até mesmo pra chorar. Falta-nos emoção, motivação.Mas quem sabe se nós desligássemos a TV no domingo e fôssemos conversar com nossos tios e avós com mais frequência nas varandas, ainda haja salvação para toda essa perversão do que melhor há para a alma: a MÚSICA!


Yasmin Lara

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Primeira Postagem

Acabei de resolver fazer um blog. Já comecei mal, pois na descrição não coube nem metade do que queria, rs. Mas tudo bem...eu me acostumo!!

Então, vou roubar o espaço da minha primeira postagem para terminar de escrever sobre como eu escolhi o nome "perfeito" para o meu blog. Contraponto é parte da música, uma paixão antiga minha. E também pode ser entendido como minha metáfora particular, uma espécie de neologismo, pois acabei de dar à palavra um novo significado. Se o tal contraponto é a "arte de compor para duas ou mais vozes e instrumentos", eu resolvi que também tinha direito de contrapor(seria isso um outro neologismo?), só que com palavras. Quero não apenas escrever, quero "compor" em forma de letras,palavras e frases aqui, e em qualquer lugar da minha vida. Resumindo tudo...contraponto ficou mais do que perfeito para o que eu tinha em mente.

Fui toda alegre escolher o link do blog, resultado: não poderia contraponto.blogspot, alguém já havia tido essa idéia antes. Que fiz então?"Ah...e se eu resolver que meu endereço será:contraoponto?"Pensei. Muda todo o contexto, mas ok, é só dar uma pequena explicação que tudo fica bem...será?Espero que sim!
Então é isso...acabei de fazer a minha estréia escrevendo aqui...